sábado, 24 de novembro de 2012

Nove

Era novembro, como hoje. Éramos chuva, hoje não somos. Hoje a chuva não atravessa nossa janela e nos envolve mais. Hoje a música não é sentida da mesma maneira. E eu lembro " when i look into your eyes...", lembro da chuva de novembro. Lembro de olhar lá fora, lembro de lhe olhar. Lembro de sermos um, lembro de ser vivo, ser seu. Se foram nove primaveras. A canção não havia tocado novamente em minha vida. Mas hoje, em meu quarto desarrumado, numa cidade grande, entre muitos desconhecidos, ouvi a música. Ela me trouxe uma alegria instantânea, me fez te sentir por nove minutos, senti seu cheiro, senti a coberta nos aquecendo, senti a vela que iluminava. Mas ao fim dela percebi o nosso fim. Toda música acaba, toda primavera acaba, todo novembro acaba. A chuva vai e volta, você foi e não voltou.

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