quinta-feira, 19 de julho de 2012

Aqueles cachos

Quando ele se foi naquela noite fria de junho, eu encolhida entre cobertas e soluços vi a porta se fechar. A última vez que vi sua sombra de onde eu estava. Ao sair ele apenas olhou, não sei ao certo se foi para mim ou para os móveis. Eu engoli minha saliva a seco que até pareceu doce em contrapartida da vida agora amarga. Liguei a TV na busca frustrada de algo para me distrair, por fim encontrei um canal onde uma mulher loira e magra me dizia coisas sobre o amor. Eu sabia o que era o amor. Sabia que ele podia me fazer sorrir como se tivesse 7 anos e me fazer chorar como se minha mãe tivesse morrido. Eu sabia que ele me deixava sem  dormir, que me roubava os sonhos, que me deixava como um zumbi. E eu que me apeguei à aquele moço da loja de discos, só porque  ele tinha cachos e barba por fazer. Só porque ele tinha covinhas ao sorrir e cheiro de homem. Só porque quando eu chegava à loja ele me sussurrava: olá moça do Paul! . Embora Paul Mcartney me fizesse suspirar, era o moço da loja de discos que eu queria que cantasse "Something" em meu ouvido. Então ele me cantou, me beijou, me sussurrou, me pegou, me dançou, me virou do avesso e por fim me deixou. Me deixou ainda do avesso, ainda pela metade, me deixou o Abbey Road, mas levou o violão, o cacho e o abraço.

domingo, 1 de julho de 2012

Platão me entende

A unica coisa que eu penso é ele mexe comigo, mexe, mexe. E me lembra uma certa musica um tanto quanto brega. Então descubro que eu me tornei uma brega também. Descubro que minhas bochechas ardem se o vejo, e meu sorriso aparece mesmo sem eu permitir. Descubro também que quando ouço o nome dele, algo em mim se espanta, algo em mim se exalta, algo em mim se fascina. Descubro ainda que o busco aonde quer que eu vá, seja no zoologico ou no cinema, seja no caminho de casa, seja nas estrelas. E pior, descubro que o encontro em tudo, encontro-o no vestido azul, encontro-o na arvore de natal, encontro-o na musica gritada, encontro-o nos cabelos de outrem, e principalmente encontro-o na minha pele, nos meus ouvidos, nas minhas palavras. O pior não é estar brega ou espantada ou buscando ou encontrando, o pior é não achar. Não encarar face-a-face. Tete-a-tete. Não olhar nos olhos. O pior é ficar à deriva. O pior é dar razão à Platão.