terça-feira, 24 de abril de 2012

Canção de desamor

Hoje quando eu acordei
e você não estava, como antes,
talvez te perdoaria
talvez te esperaria
Mas hoje é diferente
não é ano novo ou data importante
Mas é o dia em que te deixo para trás
o dia que eu digo não quero mais
a esperança e a dança vão mudar de lugar
Eu vou encontrar outro para me fazer acreditar
outro que não me diga talvez
ou posso ficar a deriva
entre tantos e perdida
mas certa de uma coisa nessa vida
- Hoje eu quero paz.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

O céu ainda estava claro, o dia acabara de nascer e com ele vinha a luta diária. Eunice Aparecida dos Santos; brasileira; casada; três filhos casados; casa alugada; renda mensal abaixo da renda nacional; prato preferido: arroz, feijão, bife caprichado e farofa; bebida favorita a boa e velha cervejinha de domingo, dia da semana favorito: domingo. Pois aos domingos o horario não existe, embora o galo não a deixe dormir. Aos domingos o seu homem está presente. Aos domingos a comida pode ser saboreada lentamente. Aos domingos pode-se sonhar depois do almoço. Aos domingos usufrui-se do beneficio de ter uma tv para entreter, dar risadas, saber como é a vida de pessoas que nunca conhecerá. Mas os domingos acabam e abrem espaço para segunda-feira. Mas ela não foge da batalha, não senhor, porque ninguém luta por ela.
O céu estava claro, o dia acabara de nascer e com ele vinha a luta diária. Era segunda e mesmo antes do galo cantar ela já estava de pé, antes do marido acordar já preparara o café, antes dele sair ela ja estava em seu local de trabalho, sem endereço, sem carteira, sem identidade, buscando sustento, alento. Quando a repórter pergunta seu nome:
-Eunice Aparecida dos Santos.
- Dona Eunice...
Ela apenas resmunga: não sou dona de nada não senhora.