Para Pedro Martins,
São 3 da manhã. 5 de agosto. Não, 6 tecnicamente né. Você sabe que eu nunca fui boa em datas. Ou cartas, aparentemente. Mas descobri várias coisas em que sou boa. Sou boa em sentir sua falta a cada vez em que chego em casa, minha casa agora, alias. Sou boa em chorar em filmes àgua-com-açúcar que passam na tv. Sou boa em jantar miojo, pipoca de microondas ou cereal, porque não é muito legal cozinhar para um só. Sou boa em dormir abraçada com um travesseiro, pois desacostumei a dormir sozinha. Começos são difíceis não é? Trabalhosos, duros... Estou me moldando, me reerguendo, estou cheia de feridas mas elas vão cicatrizar, vai ser difícil passar por todas as fases, novos hábitos, desapego dos antigos... por isso eu lhe peço, não apareça, não mande sinais, não olhe para mim até eu estar inteira de novo.
Agradecida,
Luísa Torres Martins, ex-Martins
Luísa,
Não te procurarei como pediu. Não darei sinais. Não te olharei. Mas você estará comigo nos meus sonhos, nas minhas tardes de domingo, na rede vazia, na piada da tv que entendíamos. No violão que agora chora. Na escova de dentes que não está mais ao lado da sua. Eu também estou pela metade, eu também me moldarei. Eu gostaria de gritar até irritar os vizinhos que sim, você é a minha Luísa, a Luísa de Pedro, assim como Marilia é de Dirceu. Mas como você me pediu, não lhe procurarei, não receberá essa carta, então guardo na gaveta junto de tantas outras que não enviarei.
Pedro de Luísa
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